O que é uma teoria da conspiração?

 Teoria da conspiração, também chamada de teoria conspiratória ou conspiracionismo, é uma hipótese explicativa ou especulativa que sugere que há duas ou mais pessoas ou até mesmo uma organização que têm “tramado” para causar ou acobertar, por meio de planejamento secreto e de ação deliberada, uma situação ou evento tipicamente considerado ilegal ou prejudicial.


Desde meados dos anos 1960, o termo se refere a explicações que mencionam conspirações sem fundamento, muitas vezes produzindo suposições que contrariam a compreensão predominante dos eventos históricos ou de simples fatos.

Uma característica comum das teorias conspiratórias é que elas evoluem para incluir provas contra si próprias, de modo que se tornem infalseáveis e, como afirma Michael Barkun, "uma questão de fé em vez de prova". O termo "teoria da conspiração" adquiriu, portanto, um significado depreciativo e é muitas vezes usado para rejeitar ou ridicularizar crenças impopulares.

O Dicionário de Inglês Oxford define teoria da conspiração como "a teoria de que um evento ou fenômeno ocorre como resultado de uma conspiração entre as partes interessadas; spec. uma crença de que alguma agência secreta, porém influente — tipicamente motivada por questões políticas e opressiva em seus propósitos —, é responsável por um evento inexplicável", e cita um artigo de 1909 publicado na revista A Revisão Histórica da América como o exemplo de uso mais antigo. Atualmente, as teorias conspiratórias estão amplamente presentes na Web na forma de blogs e vídeos de YouTube.

De acordo com a obra Twentieth century words ("Palavras do Século 20"), de John Ayto, o termo "teoria da conspiração" era originalmente neutro e somente adquiriu uma conotação pejorativa em meados dos anos 1960, insinuando que o defensor da teoria possuísse uma tendência paranoica de achar que os eventos são influenciados por alguma agência secreta, maliciosa e poderosa. Em seu livro Teoria da Conspiração na América, publicado em 2013, o professor da Universidade do Estado da Flórida, Lance DeHaven-Smith, afirma que a expressão foi inventada na década de 1960 pela CIA para desacreditar as teorias conspiratórias sobre o assassinato do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy. No entanto, segundo Robert Blaskiewicz, professor assistente de pensamento crítico da Universidade de Stockton e ativista cético, tais informações já existiam "desde pelo menos 1997", mas por terem sido recentemente promovidas por DeHaven Smith, "os teóricos conspiracionistas passaram a citar seu trabalho como uma autoridade." Blaskiewicz pesquisou o uso do termo "teoria da conspiração" e descobriu que ele sempre teve um significado depreciativo, que era usado para descrever "hipóteses extremas" e especulações implausíveis, já desde os anos 1870. 

Em resposta à reação acalorada sobre seu uso da expressão "teorias da conspiração" ao descrever especulações extremas a respeito do massacre de Jonestown — como as alegações de que a CIA estaria conduzindo "experimentos de controle mental" —, a professora da Universidade Estadual de San Diego, Rebecca Moore, disse: "Eles estavam com raiva porque eu havia chamado sua versão da verdade de teoria conspiratória ... Em muitos aspectos, eles têm o direito de estar com raiva. O termo "teoria da conspiração" não é neutro. Ele é carregado de valores e leva consigo a condenação, a ridicularização e a rejeição. É bastante parecido com a palavra "culto" que utilizamos para descrever as religiões das quais não gostamos." Alternativamente, Moore descreve teorias da conspiração como "conhecimento estigmatizado" ou "conhecimento suprimido", que é baseado em uma "forte crença de que indivíduos poderosos estão limitando ou controlando o livre fluxo de informações para fins terríveis."

Alguns estudiosos argumentam que as teorias da conspiração, que eram limitadas a públicos marginais, se tornaram comuns nos meios de comunicação de massa, contribuindo para que o conspiracionismo emergisse como um fenômeno cultural nos Estados Unidos, entre o final do século XX e início do 21. Segundo os antropólogos Todd Sanders e Harry G. West, evidências sugerem que um amplo setor[vago] dos estadunidenses hoje dá credibilidade a algumas teorias conspiratórias. A crença nessas teorias tornou-se, assim, um tema de interesse para sociólogos, psicólogos e especialistas em folclore.

O físico David Robert Grimes estimou o tempo necessário para uma conspiração ser exposta com base no número de pessoas envolvidadas.Seus cálculos usaram dados do programa de vigilância PRISM, do estudo da Sífilis não Tratada de Tuskegee e do escândalo forense do FBI. Grimes estimou que:

  • As acusações de falsificação nas alunissagens do Programa Apollo exigiriam o envolvimento de 411.000 pessoas e seria exposto em 3,68 anos;
  • A teoria conspiratória sobre o aquecimento global exigiria 405.000 pessoas e ficaria exposta dentro de 3,70 anos;
  • Uma conspiração sobre vacinação exigiria um mínimo de 22 mil pessoas (sem empresas farmacêuticas) e seria exposta em pelo menos 3,15 anos e no máximo 34,78 anos, dependendo do número envolvido;
  • Uma conspiração para suprimir a cura do câncer exigiria 714.000 pessoas e seria exposta dentro de 3,17 anos.

Conspirações comprovadas


  • A Okhrana (polícia secreta do Império Russo) promoveu o antissemitismo apresentando Os Protocolos dos Sábios de Sião como textos autênticos.
  • O assassinato de Leon Trotski no México por Ramón Mercader, um agente espanhol da NKVD soviética.
  • ODESSA: (Organisation der ehemaligen SS-Angehörigen - "Organização de antigos membros da SS") foi uma suposta rede de colaboração secreta desenvolvida por grupos nazistas para ajudar os membros da SS a escapar da Alemanha para outros países onde eles estavam seguros, particularmente para a América Latina. A organização foi usada pelo romancista Frederick Forsyth em seu trabalho de 1972, The Odessa File, baseado em eventos reais, que lhe deram um grande impacto na mídia. Por outro lado, o maior investigador, perseguidor e responsável por informar sobre a existência e missão dessa organização foi Simon Wiesenthal, um judeu austríaco sobrevivente do Holocausto, que se dedicou a localizar ex-nazistas para levá-los a julgamento. A historiadora Gitta Sereny escreveu em seu livro Into That Darkness (1974), baseado em entrevistas com o ex-comandante do campo de extermínio de Treblinka, Franz Stangl, que a ODESSA nunca existiu. Ela escreveu: “Promotores da Autoridade Central de Ludwigsburg para a investigação de crimes nazistas, que sabiam exatamente como as vidas de certos indivíduos atualmente na América do Sul foram financiados no período do pós-guerra, procuraram milhares de documentos do começo ao fim, mas eles afirmam que são totalmente incapazes de autenticar a existência de 'Odessa'. Não é que isso importe: certamente havia vários tipos de organizações apoiando os nazistas depois da guerra - teria sido surpreendente se não houvesse ocorrido.
  • Projeto MKULTRA - às vezes também conhecido como programa de controle mental da CIA - foi o codinome dado a um programa secreto e ilegal projetado e executado pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para experiêcias em seres humanos. Esses ensaios em humanos tinham a intenção de identificar e desenvolver novas substâncias e procedimentos para uso em interrogatórios e tortura, a fim de enfraquecer o indivíduo e forçá-lo a confessar a partir de técnicas de controle mental. Foi organizado pela Divisão de Inteligência Científica da CIA em coordenação com o Corpo Químico da Diretoria de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos.
  • A CIA esteve envolvida em várias operações de tráfico de drogas. Alguns desses relatórios afirmam que as evidências do Congresso indicam que a CIA trabalhou com grupos que eram conhecidos por estarem envolvidos no tráfico de drogas, de modo que esses grupos receberam informações de apoio úteis e materiais, em troca de permissão para suas atividades criminosas continuarem, e de dificultar ou impedir prisões, acusações e aprisionamentos por parte das agências policiais dos EUA.
  • Na década de 1980, o governo dos EUA estava envolvido em uma conspiração para derrubar o governo legitimamente constituído da Nicarágua, através do financiamento, através da venda de armas para o Irã e drogas nas ruas dos Estados Unidos, de uma guerrilha contrarrevolucionária. Esses fatos, conhecidos como "caso Irã-Contras" ou "Irangate", "envolveu vários membros do governo Ronald Reagan, incluindo o próprio presidente, e foram até mesmo levados a julgamento, comprovando sua veracidade.
  • A rede ECHELON.

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