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Cuidado com as bolhas

 A mentira e o cinismo faz com que, através dos meios de comunicação, as potências se apresentem como vítimas das manobras do inimigo. Ao mesmo tempo, o antigo inimigo parece ter encontrado na rede um pilar para relatos contra-hegemônicos. Os meios de comunicação conspiratórios ou envolvidos no complot contam hoje com um aliado poderoso. Mas a verdade está ausente e aqueles que tentam desmentir ou esclarecer (os jornalistas) costumam encontrar-se submersos pelas ameaças físicas ou insultos que chegam a eles através da Internet. A mentira transformou em moda um estilo de gangue digital como forma de dissuasão ou intimidação, tanto para a extrema direita quanto para a ultra-esquerda. 



É nitido e claro que, os leitores e espectadores de todas os suportes ideológicos, estados, partidos políticos, movimentos de distinta índole, serviços secretos, hackers, jornalistas e agitadores centrais da internet (Twitter, Facebook, Google, Instagram, etc.) compõem um amplíssimo mercado de manipulação da informação, sem precedentes na história da humanidade. Que sejam as eleições na França, nos Estados Unidos, a consulta pelo Brexit, a guerra na Ucrânia ou o separatismo catalão, a internet e seus habitantes das sombras têm sido os principais reguladores da opinião pública, com o pano de fundo da guerra entre as potências, e como parvos figurantes, estão as esferas anti-imperialistas, que expandiram as falsidades do inimigo, de seu inimigo. Um exército de fantasmas navega diariamente para defender um território semeado por interesses, em ambos os lados do Atlântico.

Os maus viraram bons e os bons maus. Os trolls são agora inocentes soldadinhos do passado, ao lado da maquinaria que foi posta em funcionamento. Os cronistas de falácias, os gestores de comunidade das redes, os perfis automáticos que geram bolhas narrativas criadas com a intenção de instalar uma fraude são os novos propagadores das verdades artificiais que se tornaram a droga do ocidente. Donald Trump impulsionou nos Estados Unidos o que já existia há muito tempo dentro da chamada guerra digital ou guerra assimétrica. Os heróis do passado se deram o direito de jogar, após a sua estratégia final. Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, juntou-se a exitosa operação dos separatistas catalães que conseguiram instalar na opinião pública uma péssima impressão do Estado espanhol, apoiando-se também nos suportes russos de difusão na rede. 

A velha guerra fria. Os serviços de Vladimir Putin parecem ter encontrado na rede um pilar para as narrativas contra-hegemônicas. Em certos setores, a imprensa ocidental tradicional tem mil vezes menos influência do que a Russia Today (RT) ou a Sputnik (100 países, 33 idiomas), dois meios de comunicação russos cujas informações, em ocasiões totalmente falsas, são redistribuídas através das redes e lidas com devoção por aqueles que têm uma posição anti-ocidental legítima (The Gateway Pundit ou TruthFeed).

A dicotomia que nunca acaba. Os "maus" do ocidente contra os "bons" de Moscou ou os "bons" de Moscou contra os "maus"do outro lado, semeiam suas invenções nas redes sociais. Os bons e os maus acabam amplificando sua difusão, com as quais formatam consciências, ganham adesões, modificam processos eleitorais ou instalam certezas cuja única realidade está nos milhares de perfis automatizados que devastam todas as formas de liberdade de pensar e agir. As redes sociais apareceram em um momento como a panaceia da independência frente os meios de comunicação do "sistema". Agora, o sistema se apropriou delas.

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