Ticker

4/random/post-list

728x90-adsense-duduallo.com.br

Lócus de controle

 Lócus de controle é a expectativa do indivíduo sobre a medida em que os seus reforçamentos se encontram sob controle interno (esforço pessoal, competência, etc.), ou externo (as outras pessoas, sorte, chance, etc.). Foi formulado por Julian B. Rotter em 1966 em seu artigo “Psychological Monographs”. lócus significa lugar em latim. Neste sentido, caso uma pessoa tenha um lócus de controle predominantemente interno se sente mais no controle de sua própria vida e sucesso, exigindo mais de si mesmo e se concentrando no que pode fazer por conta própria para lidar com os problemas atuais enquanto uma pessoa com lócus de controle predominantemente externo sente que fatores externos tem um controle maior na sua vida, exige mais dos outros, tem uma maior dependência emocional e funcional e são mais afetadas por críticas e elogios. É importante ressaltar que até hoje existem discussões conceituais e discordâncias entre esses conceitos.

Local Interno de controle

O termo “locus interno de controle” refere-se à crença de alguns indivíduos de que o que acontece em suas vidas está sob seu controle ou influência. À primeira vista, isso pode parecer trivial, mas, na realidade, causa uma série de efeitos que quase mudam completamente a experiência de vida da pessoa.



Por exemplo, hoje sabemos que pessoas com um lócus de controle interno tendem a assumir a responsabilidade por suas ações, de modo que, se os resultados que estão alcançando não são o que desejam, geralmente mudam a maneira como agem. Da mesma forma, eles também têm um maior senso de auto-eficácia e são mais confiantes em suas próprias habilidades.

Normalmente, indivíduos com um lócus de controle interno são influenciados em menor grau pelas opiniões de outros e tomam decisões com base em suas próprias crenças e modos de pensar. Isso os faz trabalhar melhor sozinhos e os faz sentir-se mais confiantes quando precisam enfrentar algum tipo de desafio.

Auto estima

Esses indivíduos geralmente têm uma baixa auto-estima, pois mesmo quando alcançam algum tipo de sucesso, acham que isso se deve simplesmente à sorte ou à ajuda de outras pessoas. Como conseqüência, eles pensam que não têm poder para mudar a situação em que se encontram, o que os leva a não se esforçarem e frequentemente ficarem presos.

Entre outras coisas, o lócus de controle externo causa fenômenos como falta de motivação, má atitude, dificuldade de concentração ou até desamparo aprendido. Externamente, as pessoas que se enquadram nessa categoria tendem a ter problemas de saúde física e mental, além de experimentar dificuldades em praticamente todas as áreas de suas vidas.

Finalmente, uma das conseqüências mais graves de se ter um lócus de controle externo é a dificuldade que isso implica quando se trata de mudar situações indesejadas na vida de alguém.

Lócus de controle e auto-estima

As pesquisas mais recentes sobre esse tópico descobriram que a natureza do lugar de controle de um indivíduo está intimamente relacionada à força de sua auto-estima. Assim, aqueles que acreditam que o que lhes acontece depende de si mesmos tendem a se ver com melhores olhos do que aqueles que pensam que não podem controlar o que lhes acontece.

Por que isso acontece? Verificou-se que aqueles com um lócus de controle principalmente externo tendem a valorizar absolutamente todas as suas experiências.

Quando algo lhes acontece que eles não querem, eles se sentem incapazes de impedir que isso aconteça novamente no futuro; E quando conseguem algo de bom, pensam que isso só lhes aconteceu por acaso ou por sorte.

Por outro lado, pessoas com um lócus de controle externo tendem a assumir a responsabilidade por tudo o que lhes acontece. Assim, se cometerem um erro, procurarão maneiras de impedir que a mesma coisa aconteça novamente no futuro; e quando alcançam um resultado positivo em sua própria vida, são capazes de se felicitar por isso, de modo que sua auto-estima seja reforçada.

Lócus de controle e estresse

Há alguma controvérsia sobre a relação entre o local de controle de uma pessoa e seus níveis de estresse. Alguns pesquisadores pensam que acreditar que não temos controle sobre o que acontece em nossas vidas aumenta significativamente esse tipo de desconforto, enquanto outros pensam exatamente o contrário.

A primeira hipótese é baseada na idéia de que o estresse ocorre quando sentimos que não podemos fazer nada para modificar as circunstâncias em que nos encontramos e elas são negativas. Se isso fosse verdade, as pessoas com um lócus de controle externo deveriam experimentar níveis mais altos de estresse do que aqueles que pensam que mudar sua situação depende inteiramente deles.

Por outro lado, alguns pesquisadores acreditam que assumir a responsabilidade por tudo o que acontece em nossas vidas também pode gerar níveis mais altos de estresse. Isso ocorre porque nem tudo o que acontece conosco é facilmente modificável, mas as pessoas com um lócus de controle interno se culpariam quando não conseguissem exatamente o que queriam.

Atualmente, o consenso é que os níveis mais baixos de estresse são alcançados quando a pessoa está ciente de que possui uma grande capacidade de modificar as circunstâncias em que se encontra, mas, ao mesmo tempo, sabe que seu poder nesse sentido tem certos limites. Dessa maneira, o indivíduo é capaz de agir e elevar sua auto-estima sem precisar ser martirizado quando algo não corre bem.

Lócus de controle e depressão

A depressão é um fenômeno intimamente relacionado ao locus externo de controle. Acreditar que não temos controle sobre o que acontece em nossas próprias vidas pode dar origem ao que é conhecido como “desamparo aprendido”, um estado em que a pessoa para de tentar mudar sua situação e se resigna a viver com desconforto. permanente.

O desamparo aprendido é uma das causas mais importantes para a depressão, e resolvê-lo é um dos primeiros objetivos que os terapeutas estabelecem quando tratam um paciente com essa patologia. Na prática, isso envolve promover uma mudança de crenças e incentivar o indivíduo a tomar medidas para modificar o que depende dele.

Lócus de controle e saúde

A externalidade ou internalidade do lócus está intimamente associada a cultura social e familiar. Na cultura latino americana pessoas mais religiosas tendem a associar mais os acontecimentos a fatores externos como a vontade de Deus, destino e sorte. Pessoas que ao invés de focalizarem nos resultados de suas próprias ações se focalizam nesses fatores externos podem estar em risco para desenvolverem doenças devido à falta de cuidados preventivos apropriados e por correrem mais riscos confiando na sorte ou em Deus.

Um estudo mostrou que diabéticos tem predominância de lócus de controle externo. Alguns cientistas acreditam que pessoas com lócus de controle externo tenham maior propensão para adiar cirurgias corretivas e quando participam de programas de controle de peso, são as de menor sucesso

Lócus de controle e organizações

Abbad e Meneses desenvolveram uma escala de avaliação do lócus de controle voltada para o contexto organizacional que consiste em 12 eventos que devem ser avaliados o quanto dependem de si mesmo, dos outros ou da sorte numa escala de Likert de 1 a 5.

Este mesmo estudo cita a definição dada por Wenzel, para quem lócus de controle “refere-se ao modo como uma pessoa percebe a relação entre seus esforços e o resultado de um evento. Caso esta relação esteja clara para o indivíduo, diz-se que ele é internamente orientado, ao passo que quando a relação não é clara, a pessoa passa a responsabilizar outros fatores pelo sucesso ou fracasso de determinada ação. Nesse caso, diz-se que ela é externamente orientada” e mais adiante menciona um estudo de Pasquali et al. (1998), que considerou como premissa que “o construto lócus de controle, ao contrário de sua definição como um traço de personalidade, seria mais bem compreendido como um estado disposicional do indivíduo que se modifica de acordo com a situação. Além disso, é multidimensional, podendo assumir uma estrutura empírica e conceitual composta por três dimensões  pessoal, social e impessoal (…)”

Postar um comentário

0 Comentários