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Torna-te quem tu és

 "Nós, porém, queremos nos tornar aqueles que somos – os novos, únicos, incomparáveis, que dão leis a si mesmos, que criam a si mesmos!” – (Nietzsche, Gaia Ciência, §335)



Que alguém se torne o que é pressupõe que não suspeite sequer remotamente o que é... É preciso tornar-se aquilo que se é, precisamente aquilo que se é! Este é o destino inevitável! Não há outra possibilidade, porque assim será queiramos ou não! E o que somos? Já sabemos o que somos! Toda a questão está aí, estas forças que se afirmam em nós, terão vazão? Para onde? Escavarão um buraco infinito em nosso interior e nos corroerão por dentro? Ou serão forças de criação de algo novo, inédito, expansivo? "Contemplando uma cachoeira, acreditamos ver nas inúmeras ondulações, serpenteares, quebras de ondas, liberdade da vontade e capricho; mas tudo é necessidade, cada movimento pode ser calculado matematicamente. O mesmo acontece com as ações humanas; poder-se-ia calcular antecipadamente cada ação, caso se fosse omnisciente, e, da mesma maneira, cada progresso do conhecimento, cada erro, cada maldade. O homem, agindo ele próprio, tem a ilusão, é verdade, do livre-arbítrio; se por um instante a roda do mundo parasse e houvesse uma inteligência calculadora omnisciente para aproveitar essa pausa, ela poderia continuar a calcular o futuro de cada ser até aos tempos mais distantes e marcar cada rastro por onde essa roda a partir de então passaria. A ilusão sobre si mesmo do homem atuante, a convicção do seu livre-arbítrio, pertence igualmente a esse mecanismo, que é objeto de cálculo." - (Friedrich Nietzsche, 'Humano, Demasiado Humano') Quando (Deus, a Força Criadora do Universo) criou os Seres Humanos, concedeu a cada um de nós a capacidade de termos nossas próprias escolhas. Inclusive a de escolher acreditar Nele ou não. Pode parecer estranho, mas tudo isso tem um sentido muito específico. Nosso livre arbítrio tem como objetivo permitir com que aprendamos com nossas próprias experiências, algo necessário para nossa evolução. ‘Querer’ algo, ‘empenhar-se’ por algo, ter em vista um ‘fim’, um ‘desejo’ – nada disso conheço por experiência própria. Ainda neste momento olho para o meu futuro – um vasto futuro – como para um mar liso: nenhum anseio encrespa. Não quero em absoluto que algo se torne diferente do que é; eu mesmo não quero tornar-me diferente…” – (Nietzsche, Ecce Homo, por que sou tão inteligente, §9) "Homem, torna-te no que és" - Píndaro Torna-te quem tu és: ou seja, aproprie-se das forças que o constituem, fique atento para aquilo que entra e sai, repare na superfície da pele, nos poros, carregue a diferença consigo. Viver cada instante, com toda a intensidade é a vontade de potência no seu mais alto grau. Não podemos negociar com a vontade dos outros, viva de acordo com as suas vontades, seja você mesmo em sua melhor versão. Queira a vida em toda a sua intensidade e plenitude. Para o mortal, o instante tem um valor incalculável, pois viver no presente é viver sua morte todos os dias, é afrontá-la, é assumi-la. Podemos ter apenas segundos de vida ou muitos anos de vida, portanto torna-te quem tu és. “O Todo é mente; o Universo é Mental.” - Hermes Trimegisto (O Caibalion) Amar a vida mesmo com todas as dores e pluralidade de sentido que ela traz em seu bojo constitui uma característica dos fortes. Viver é luta, os fortes sempre dizem "sim" para o destino, mesmo ele sendo bom ou ruim, devemos superar a tudo e ir além do bem e do mal. "(...) vou dizer qual é o pensamento que deve tornar-se a razão, a garantia e a doçura de toda a existência que ainda terei! Desejo aprender cada vez mais a ver o belo na necessidade das coisas: é assim que serei sempre daqueles que tornam as coisas belas. Amor fati (amor ao destino): seja assim, de agora em diante, o meu amor. Não pretendo fazer a guerra ao que é feio. Não pretendo acusar, nem mesmo os acusadores. Desviarei o meu olhar, será essa, de agora em diante, a minha única negação! E, em uma palavra, portanto: não quero, a partir de hoje, ser outra coisa senão uma pessoa que diz Sim!" (Nietzsche, A Gaia Ciência, 2012, p.142-143) O homem deve suportar aquilo que foi e que é, mas que o quer novamente tal como foi e é, por toda a eternidade, deve suportar a repetição do início de sua vida ou de um momento dela, não apenas para si, mas para a peça e o espetáculo inteiros, e não somente para um espetáculo, mas no fundo para aquele que justamente precisa desse espetáculo – e faz com que ele seja preciso e volte novamente criando tudo da mesma forma que foi: pois ele sempre precisa de si outra vez – e faz com que seja preciso — Esse circulus vitiosus [círculo vicioso] de repetição da vida, essa espécie de "Déjà vu" será Deus ou simplesmente o destino? É por isso que peço sempre. Torna-te quem tu és!

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